Imagine a seguinte situação: você acorda cedo, pega o celular e vê que seu WhatsApp está cheio de mensagens. Um vídeo ou um áudio está circulando com uma mentira grave sobre o seu mandato de vereador. O coração dispara e a primeira reação é a raiva. O que fazer? Como responder a essas fake news sem piorar a situação?
Infelizmente, lidar com mentiras e notícias falsas faz parte da rotina política atual. Todo vereador, seja iniciante ou experiente, corre o risco de ser alvo de ataques. O problema é que, no susto, muitos cometem erros que ampliam o alcance da mentira em vez de combatê-la. Saber como responder a fake news com responsabilidade é uma das habilidades mais importantes que você precisa desenvolver.
Não existe fórmula mágica, mas existe técnica. Se você agir com rapidez e estratégia, consegue proteger sua reputação e até sair mais forte do episódio. Vamos ver o que funciona de verdade?
Esqueça a “Nota de Repúdio”
O erro número um que a maioria dos políticos comete é a famosa “Nota de Repúdio”. Sabe aquele texto formal, cheio de palavras difíceis, publicado em um fundo branco nas redes sociais? Pois é, ele quase não funciona.
Pense comigo: a mentira geralmente chega de forma emocionante, com um áudio alarmista ou um vídeo impactante. Uma nota de texto fria e burocrática não tem força para combater isso. Além disso, a nota de repúdio costuma atingir apenas quem já te segue, enquanto a mentira circula livremente nos grupos de WhatsApp da cidade.
A regra de ouro é: responda no mesmo formato e canal.
- Se a mentira é um vídeo no TikTok ou Instagram, grave um vídeo resposta para essas redes.
- Se é um áudio no WhatsApp, grave um áudio explicando a verdade e peça para seus contatos espalharem.
- Se é uma montagem com foto, faça uma imagem simples mostrando a realidade (ex: o documento original ou a foto real).
A estratégia da “vacina”: antecipe o problema
Na saúde, a vacina serve para preparar o corpo antes que a doença chegue. No seu mandato de vereador, a lógica é a mesma. Muitas vezes, você sabe que uma votação polêmica vai acontecer ou que tomou uma decisão que pode ser mal interpretada por adversários.
Não espere a mentira surgir. Explique antes! Se você vai votar a favor de um projeto impopular porque ele é necessário para o orçamento da cidade, faça um vídeo dias antes explicando seus motivos de forma didática. Diga: “Olha, vão dizer que eu votei contra a população, mas a verdade é que esse projeto garante o salário dos professores”.
Quando a fake news chegar, a população já terá ouvido a sua versão primeiro. Quem explica primeiro, conquista a confiança.
Mobilize sua base de apoio
Você não vence uma guerra de narrativas sozinho. É aqui que entra a importância de ter sua base organizada. Seus assessores, amigos, familiares e eleitores fiéis são seus melhores defensores.
A explicação de um vizinho para outro vizinho no grupo do bairro vale muito mais do que a sua declaração oficial. Por isso, quando a crise estourar:
- Tenha grupos de transmissão organizados no WhatsApp com seus apoiadores mais próximos.
- Envie a verdade para eles com clareza (o vídeo ou áudio que você produziu).
- Peça ajuda explicitamente: “Pessoal, estão espalhando essa mentira. Me ajudem a compartilhar a verdade nos grupos de vocês”.
Essa organização prévia faz toda a diferença. Aliás, saber estruturar sua equipe e seus canais de comunicação é fundamental não só para crises, mas para todo o sucesso do seu trabalho legislativo.
Para aprender a organizar seu gabinete de forma profissional e ter uma equipe pronta para qualquer desafio, recomendo conhecer o curso Eu Vereador – Mandato, da Academia Vitorino e Mendonça. Ele ensina o passo a passo da gestão política eficiente.
Jurídico e comunicação devem andar juntos
Muitos vereadores correm para o advogado e esquecem da comunicação. Ou fazem o contrário. O ideal é o equilíbrio. As fake news podem ser crimes e devem ser tratadas como tal, especialmente se envolverem calúnia ou difamação.
Porém, a Justiça tem o tempo dela, e a internet é instantânea. Uma decisão judicial para remover um conteúdo pode levar dias. Até lá, o estrago já foi feito. Por isso:
- Acione o jurídico: para processar os autores (se identificados) e pedir direito de resposta ou remoção.
- Faça a comunicação política: para estancar o sangramento de imagem imediatamente.
Mas atenção: tenha sabedoria para escolher as batalhas. Se a mentira é irrelevante e ninguém está falando sobre ela, não responda. Responder a algo pequeno pode dar visibilidade a um assunto que morreria sozinho. Só reaja se a mentira estiver furando a sua bolha e chegando nas pessoas comuns.
Para não esquecer
Lidar com ataques é estressante, mas manter a calma é vital. Respire fundo e siga este roteiro:
- Verifique a informação: entenda exatamente o que estão dizendo.
- Se for grave, responda rápido no mesmo canal da mentira (vídeo ou áudio).
- Seja didático e mostre provas (documentos, fotos reais).
- Acione seus apoiadores para espalhar a verdade.
- Consulte seu advogado para medidas legais, mas não dependa só delas.
Lembre-se: quem não deve, não teme, mas precisa saber se explicar. Com transparência e agilidade, você protege seu mandato e mantém a confiança da população.








